Só para começar: praticamente não os tenho. São pequenos, sempre foram caídos, dizem que essa forma deles é étnica – vinda dos meus antepassados judeus. Quando eu tinha mais gordura corporal, tinham um certo volume. Agora, em que o meu estado “gordo” não passa de 17% de gordura, eles realmente são bem pequenos.
Nos últimos tempos, a idéia de que cedo ou tarde vou colocar uma prótese de silicone se tornou quase que automática. A ponto de que perdi a memória de onde veio esse plano cirúrgico.
Só que “recuperei” essa memória: obviamente, veio de um homem. Tendo o antígeno sido inoculado, o resto foi fácil: o padrão das mulheres de todos os tipos e estéticas em volta de mim e até mesmo profissionais (um ginecologista que elogiou um pouco inapropriadamente minha beleza salientou que meus seios não combinavam com o conjunto).
Graças à minha própria impermeabilidade a bobagens excessivamente toscas, parece que fui vulnerável apenas à questão do tamanho dos seios, já que o tal homem tóxico era um adepto de Barbies: mulheres, para serem desejáveis (e amadas), deveriam ser loiras falsas bem fake mesmo, escovas evolutivas, exaustivas ou sei lá o que para tornar os cabelos sempre lisos, olhar imbecil e jeitão de piranha vulgar. Depois descobri que português correto, idéias um pouquinho mais elaboradas e grana broxavam o sujeito. Deixemos a figura de lado – é apenas um membro da maioria inerte.
O fato é que o tamanho dos seios passou a ser uma questão. Pesquisei cirurgiões, preço, procedimentos e o grande problema era como contornar o inevitável período de recuperação sem treino, já que isso é muito perigoso para mim (ficar sem treinar pode ser letal, por motivos de saúde explorados em outro lugar).
Até que a semana passada, olhando no espelho, me dei conta de que eu mesma nunca me incomodei com o tamanho dos meus peitos. Sim, são MUITO pequenos. Mas... não consigo achá-los feios por isso. Olhei bem, examinei e decidi que gostaria que não fossem caídos. Por que? Porque traduzem decadência, idade, envelhecimento? Não... Sempre foram assim. Os de minha filha de 16 anos são iguais.
Então, há dois dias, um dos homens com H maiúsculo da minha vida fez inúmeros comentários a respeito dos meus seios. Disse que eram sensuais e que não eram minúsculos coisa nenhuma. E que o volume deles não fazia diferença na minha atratividade sexual.
Naturalmente gostei. Gostei muito.
Por outro lado, sei que se, em vez de ir mesmo na linha powerlifter, eu resolver competir em Figure, eles secarão a ponto de sumir. Esse estado zerado dura uns dois meses no máximo.
Mas gosto de correr, sou responsável técnica pelo grupo de corrida em minha academia, peitos maiores são péssimos (até quando menstruo eles incomodam)...
E agora?
Que faço eu com o plano “default” de ter peitos socialmente aceitáveis através de próteses? Admiro muito as bem-feitas e sem aparência de almofada de alfinete, que vejo em várias amigas. Quero o meu par? Ou não quero?
Sei lá... Por enquanto, vou deixá-los deste jeito mesmo. Sei que todos vão achar meio maluco, mas... parece que combinam comigo, com meus míseros 1,52m, com meu peitoral grande e talvez com meu jeitão.
Marilia
Nos últimos tempos, a idéia de que cedo ou tarde vou colocar uma prótese de silicone se tornou quase que automática. A ponto de que perdi a memória de onde veio esse plano cirúrgico.
Só que “recuperei” essa memória: obviamente, veio de um homem. Tendo o antígeno sido inoculado, o resto foi fácil: o padrão das mulheres de todos os tipos e estéticas em volta de mim e até mesmo profissionais (um ginecologista que elogiou um pouco inapropriadamente minha beleza salientou que meus seios não combinavam com o conjunto).
Graças à minha própria impermeabilidade a bobagens excessivamente toscas, parece que fui vulnerável apenas à questão do tamanho dos seios, já que o tal homem tóxico era um adepto de Barbies: mulheres, para serem desejáveis (e amadas), deveriam ser loiras falsas bem fake mesmo, escovas evolutivas, exaustivas ou sei lá o que para tornar os cabelos sempre lisos, olhar imbecil e jeitão de piranha vulgar. Depois descobri que português correto, idéias um pouquinho mais elaboradas e grana broxavam o sujeito. Deixemos a figura de lado – é apenas um membro da maioria inerte.
O fato é que o tamanho dos seios passou a ser uma questão. Pesquisei cirurgiões, preço, procedimentos e o grande problema era como contornar o inevitável período de recuperação sem treino, já que isso é muito perigoso para mim (ficar sem treinar pode ser letal, por motivos de saúde explorados em outro lugar).
Até que a semana passada, olhando no espelho, me dei conta de que eu mesma nunca me incomodei com o tamanho dos meus peitos. Sim, são MUITO pequenos. Mas... não consigo achá-los feios por isso. Olhei bem, examinei e decidi que gostaria que não fossem caídos. Por que? Porque traduzem decadência, idade, envelhecimento? Não... Sempre foram assim. Os de minha filha de 16 anos são iguais.
Então, há dois dias, um dos homens com H maiúsculo da minha vida fez inúmeros comentários a respeito dos meus seios. Disse que eram sensuais e que não eram minúsculos coisa nenhuma. E que o volume deles não fazia diferença na minha atratividade sexual.
Naturalmente gostei. Gostei muito.
Por outro lado, sei que se, em vez de ir mesmo na linha powerlifter, eu resolver competir em Figure, eles secarão a ponto de sumir. Esse estado zerado dura uns dois meses no máximo.
Mas gosto de correr, sou responsável técnica pelo grupo de corrida em minha academia, peitos maiores são péssimos (até quando menstruo eles incomodam)...
E agora?
Que faço eu com o plano “default” de ter peitos socialmente aceitáveis através de próteses? Admiro muito as bem-feitas e sem aparência de almofada de alfinete, que vejo em várias amigas. Quero o meu par? Ou não quero?
Sei lá... Por enquanto, vou deixá-los deste jeito mesmo. Sei que todos vão achar meio maluco, mas... parece que combinam comigo, com meus míseros 1,52m, com meu peitoral grande e talvez com meu jeitão.
Marilia
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