Bem, o grosso do lixo óbvio foi devidamente descartado. Hoje fiz algo radical: peguei tudo que havia sobre a escrivaninha, camadas sedimentares de meses de covardia burocrática, e coloquei tudo em cima da cama. Não tenho a expectativa de colocar uma “ordem definitiva” nesses fósseis. Tirar o debris mais evidente, varrer o húmus, já me darão grande satisfação. Joguei fora um saco de papel e vidrinhos. O resto será re-empilhado e voltará para a própria escrivaninha ou outro espaço por aqui. O importante foi o início da escavação paleontológica e identificação dos fósseis e sedimentos. Ou melhor seria a metáfora arqueológica? Não, não... essa coisa foucaultiana de registros em construção é inteiramente inadequada para esta empreitada – me vejo numa espiral alucinante de dar novos e mais novos significados a todo esse lixo, quando só o que eu quero é colocá-lo para lá do portão e deletá-lo da minha existência.
Xô, Foucault!
Sister Steel - Entrando nos compartimentos obscuros da minha escrivaninha
Aço em Anos de Chumbo
16 July 2008 @ 11:17 am
Entrando nos compartimentos obscuros da minha escrivaninha
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