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12 July 2008 @ 10:09 pm
Botando em dia  

Dei uma canibalizada básica na carta que mandei para minha irmã para colocar em dia os acontecidos. Muita coisa andou mudando, como sempre, como acontece de tempos em tempos na vida dessas pessoas meio phoenix. Mudanças por dentro e por fora.

Dizem que agora eu pareço mais com ela, Lena, porque meu cabelo está liso. Tenho que mantê-lo assim porque nasceram milhares de cabelinhos novos nos últimos meses, depois de uma grande queda o ano passado. Cabelinhos, plantas aromáticas, flores, idéias - muita coisa anda brotando em mim. Algumas nada bem-vindas, como memórias assustadoras.

Finalmente meus projetos que passaram três anos só ganhando forma começam a criar raizes e perninhas (??!! raízes E perninhas??). O livro já é um contrato, os dois seguintes também. Os cursos foram fracassos de público e enormes sucessos de marketing, provocando uma onda de procuras por parceria. E isso é bom - é sólido. Outras coisas também são sólidas, na área de pesquisa da Merton. Nem tudo é tesão, mas é sólido, é grana, pé no chão, mãos na terra.

Márcio e eu (“a Merton”) fomos bem-sucedidos em algumas concorrências e nossos projetos apreciados. Só de termos conseguido nos apresentar, rompendo uma longa latência em que amargamos marginalidade total e portas fechadas, já foi uma vitória.

É um mundo bem complicado esse da pesquisa na iniciativa privada - um mundo com institutos grandes que cobram caro e empresinhas pequenas ou autônomos terceirizados por eles. Somos caros para terceirizar e baratos demais para o cliente. Assim, procuram jogar a gente fora da concorrência. Mas estamos devagarinho nos enfiando, mostrando que fazemos coisas diferentes e que não é necessário nos ver como ameaça.

Conflitos e desafios grandes e pequenos no caminho, mas vamos indo.

Sobra pouco tempo para o que as pessoas entendem como vida pessoal, mas you know what? It fits me... Eu não gosto de TV, não gosto de festa, de papo furado, nada disso. Meu tempo é bem empregado dividido entre trabalho (escrever, dar aula, e infelizmente ainda resolver burocracia), treino pesado e "trabalhos de energia", como diz meu professor de tai-chi (tai-chi, meditação, qigong, etc).

Dei uma filtrada radical em mais ou menos tudo, tipo uncluttering my life. Acho que joguei algo como uns 500-700kg de "trecos' fora nos últimos 15 dias. Imaginem que joguei todos os "xerox" de artigos da minha tese de doutorado e até mesmo de mestrado! Vinte anos de lixo guardado... É muita energia ruim entranhada em poeira, sujeira, coisas apodrecendo material, simbólica e energeticamente. Era hora de renovar.

Finalmente me apropriei desta casa. Quem vem aqui não reconhece muito. Não comprei nada, não mudei a decoração, mas mudou TUDO. Primeiro, tem 500kg a menos de lixo. Um lixo que ficava meio escondido, mas não a energia dele. O cheiro da casa mudou. Foi lento o processo... um pouquinho por dia, como meditação.

Mesma coisa no quintal. Primeiro plantei umas arrudas, uns alecrins, uns majericões. Depois cuidei de uns vasos morrendo. Aí adquiri outros. Então troquei plantas tristes de lugar, pelo sol. Fiz uma barreira de capim cidrão (peguei mudas do que crescia sem cuidado lá em cima, perto da goiabeira) na base do corredor lateral, impedindo a lixiviação que comeu todo o solo.

Ontem fiz algo ousado: plantei uma minúscula muda de dama-da-noite que a mãe me deu BEM do lado de fora da minha janela. É a flor de que mais gosto. O bicho é uma trepadeira, gosta de mais sol do que bate aqui, mas eu estou insistindo: daqui uns três anos, quero abrir a janela e ver as flores brancas bem no meu nariz. Isso quer dizer que numa camada abaixo, finalmente estou confrontando a "profecia" de que eu não duraria mais do que cinco anos após o "incidente" de 2005.

Apareceu um futuro, parei de pensá-lo como uma fuga para a Austrália onde eu mergulharia no Great Barrier Reef, meu eufemismo desde sempre para fade away from life. Um dia eu vou para a Australia, mas eu volto para cá, para ver minha dama-da-noite florindo.

 
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