Márcio e eu nos dirigimos à autorizada da Claro do Shopping West Plazza para obter nosso modem. Já era a segunda tentativa que fazíamos, pois dias antes chegamos tarde demais: haviam esgotado na loja. A loja da Claro, propriamente dita, tinha uma enorme fila.
Neste sábado, entramos confiantes na autorizada e fomos recebidos por uma atendente. Na promoção, ganharíamos o modem apresentando a conta de banda larga já utilizada por nós, de alguma concorrente. Apresentei minha conta da Net de Osasco, que na verdade terceiriza o serviço para uma desconhecida “Anatel”.
Sentei, cansada e com dor nas costas enquanto esperava o processamento dos documentos. A mocinha voltou e nos disse:
“É que precisamos de uma conta de banda larga”
“Isso é minha conta de banda larga.”
“Mas não está especificado que é banda larga”
Peguei a conta, examinei e li: SUPERVIA RES 128.
“Ok, onde é que você NÃO está conseguindo ler que se trata de uma cobrança de serviço de banda larga? Não entendi, me explique.”
“Não está escrito ‘banda larga’”
“Deixe-me entender: você está me dizendo que NÃO é óbvio para você que “supervia” é sinônimo de “banda larga”, que 128 se refere à velocidade de transmissão em kbps e que “res” quer dizer residencial?”
“Senhora, é nosso procedimento, precisamos de uma conta de banda larga”
“Sim, isso é uma conta de banda larga – acerte-se com seu gerente”
A moça dirigiu-se ao telefone, agora de cara fechada. Voltou dizendo que precisavam de um telefone da empresa fornecedora.
“E eu com isso? Pegue na Internet, no catálogo, onde você quiser. O problema não é meu se seu gerente não tem vocabulário suficiente para ler um boleto”
A moça foi de novo para o telefone.
Eu virei para trás e disse: “acho melhor vocês pensarem duas vezes antes de arrumar encrenca com qualquer cliente. De repente é um cliente que pode se mobilizar o suficiente para colocar isso na imprensa – não vai pegar bem”.
Nesse momento, todos os atendentes da loja olhavam para o chão, incomodados.
Enrolaram mais uns 20 minutos até que me enchi e peguei meus documentos. Perguntei o nome da pessoa da Claro que prestou esclarecimentos (ou obscuridades, seria melhor dizer). Contorcendo-se, a moça declarou: “Jamile”. Peguei o cartão da loja e me dirigi à loja da Claro.
Chegando lá, pedi para falar com a gerente, contei o caso e ela, que, muito ressabiada, pegou a conta, fez uma consulta e autorizou rapidamente a transação, não sem antes escutar que eu queria contato com a auditoria da Claro para denunciar a loja vizinha.
Feito isso, ganhamos uma senha e a promessa de que seríamos atendidos com MUITA demora. Perguntamos se dava para tomar um cafezinho nesse tempo – ficar na fila com dor nas costas ninguém merece.
“Claro, claro. E se vocês forem chamados nesse meio tempo, depois eu encaixo”, prometeu a atendente.
Fomos tranqüilamente tomar um cafezinho no Vienna. Uma funcionária com cara de poucos amigos pegou nosso pedido.
“Um cafezinho, um capuccino grande e uma água sem gás e sem gelo – natural.”
Paguei e fui buscar o pedido no balcão. Recebi um copo de água gelada.
“Sem gelo, eu disse”.
A funcionária substituiu o copo sem dizer uma palavra e me olhando feio. Em seguida veio com uma bandeja com duas pequenas xícaras.
“Meu capuccino era grande”
“Eu cobrei pequeno”
“Cobrou errado, então”.
Ela não respondeu e virou as costas. Olhei para o Márcio, que ria.
“Márcio, será que hoje é o dia internacional do bom atendimento e eu não sabia? Isso tudo está com cara de pegadinha”.
Voltamos para a loja da Claro e perguntamos pela senha.
“Senhora, infelizmente seu número já passou.”
“Tudo bem – a moça disse que nos encaixaria se isso acontecesse”
“Que moça?”
“Uma com piercing no nariz”, disse Márcio.
“Ah... ela saiu para almoçar e só volta às 17h”. Olhou para nós, que provavelmente tínhamos cara de ameixa seca, e disse: “Acho melhor vocês pegarem outra senha...”
Pegamos outra senha e nos foi prometido que teríamos que aguardar uns 40 minutos. Mais uma vez perguntamos se daria pelo menos para esperar por perto, sentados. A moça disse que nos chamaria se ficássemos na gelateria ali do lado.
Tomamos tanto café que ficamos com dor de estômago.
Quatro horas depois de chegarmos ao Shopping West Plazza, conseguimos comprar nosso modem 3G da Claro e estamos felizes até o momento com o resultado.
Mas é ou não é um inferno ser consumidor neste país?...
