Na pilha com décadas de produções artísticas e literárias de filhos e netos que minha mãe guarda, notei algo engraçado: entre três e quatro anos, Mauro desenhava aviões e barcos com motor; Lena desenhava gatos e Laerte e eu, coelhos. O mais célebre do Laerte não estava lá, mas eu conheço: é uma charge de um coelhinho sacaneando a mãe (coelha) ao esconder o talco. Achei engraçada a distribuição temática.
(desenho do Mauro)
(desenho da Lena)
Então apareceram dois desenhos mais antigos meus. Os dois mais antigos mesmo são de uma “mulher perigosa” e o outro de um “homem louco”. Ambos de novembro de 1966, quando eu tinha, portanto, três anos e meio.
(mulher perigosa)
(homem louco)
Me ocorreu que a semente da loucura é um dos primeiros elementos que aprendemos a reconhecer como próprios. Talvez depois a gente desaprenda, na ânsia desesperada de ser “normal”. Finalmente, com alguma sorte, voltamos a reconhecer e com mais sorte ainda, ficar em paz com ela.
Mas que é assustador esse desenho do homem louco, é. Mais que o grito do Munch.

