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25 December 2007 @ 04:21 pm
Por que as virtudes vêm em número sete?  

Quase sempre no fim da aula de tai-chi lembramos as sete virtudes do guerreiro da paz. Elas são em número de sete e a ordem altera, sim, o produto:

 

  1. Força de Vontade
  2. Disciplina
  3. Humildade
  4. Honra
  5. Paciência
  6. Sabedoria

 

Obvio que não decorei. Minha capacidade de decorar listas ou números de telefone é nenhuma. Se alguma seqüência começa a fazer sentido, aí a informação se organiza. A informação começou a se organizar quando discuti com a Mel a ordem das três primeiras virtudes. Sempre achei que para conquistar o que quer que fosse, antes de mais nada era necessário ter disciplina. No entanto, ela bem chamou minha atenção que, sem acreditar firmemente que algo vale a pena (“fé”), é impossível ter a determinação (“força de vontade”) necessária para se conquistar a disciplina. Foi então que me dei conta de que a seqüência faz todo o sentido: se algo que contém elementos pouco racionais não recebe de nós um voto forte de confiança – e isso é a fé, é a disposição em se devotar a algo independente de sua racionalidade – não há como se mobilizar. Se acreditamos pela metade, deixamos o exercício para o dia seguinte... e depois para o outro... e acabamos abandonando a prática. Assim, pela fé e pela determinação conseguimos a discliplina necessária para obter os primeiros e tímidos resultados. No entanto, se não nos dermos conta de que aquilo é apenas um primeiro passo numa jornada muito maior que sequer compreendemos, paramos ali. Portanto, para continuar a crescer, é necessário humildade. Acontece que estes primeiros resultados já são um “plus” interessante num mundo desorganizado e pobre em sabedoria, de modo que sem um senso de ética e de propriedade adequados, também não evoluímos mais. Sem honra e um sentido das capacidades desenvolvidas, paramos no seu uso utilitário para um benefício rasteiro. E eu acho que é aí que a brincadeira começa para valer, e toma muito tempo, muito esforço e muita frustração. Acredito que é nesse ponto que muita gente desiste, quando não consegue nem enxergar progresso algum. Não somos uma sociedade pacientes, somos treinados para resultados imediatos. Talvez por isso a paciência seja a penúltima virtude. Talvez corresponda à mais difícil delas antes da mais misteriosa, que é a sabedoria. E sobre essa tenho pouco a dizer, por enquanto.

 

Mas como eu não tinha as sete na cabeça, fui procurar na Internet e qual não foi minha surpresa ao me deparar com inúmeros sistemas de sete virtudes, cada um com sua lógica:

 

 

Tai-chi da minha academia

Bushido

Psychomachia (cristão)

Igreja católica

Sociedade de Tai-chi do Canadá

As sete virtudes celestiais*

Kung Fu (organização americana)

 

 

 

 

 

 

 

Retitude

Castidade, pureza

Humildade

Piedade filial

Bondade

Força de Vontade

Coragem

Moderação, auto-controle

Bondade

Harmonia entre irmãos

Esperança

Paciência

Disciplina

benevolência

Generosidade, caridade

Perdão

Lealdade, dedicação

Caridade

Respeito

Humildade

respeito

Diligência ou ética

Diligência

Honestidade

Coragem

Lealdade

Honra

honestidade

Paciência ou paz

Caridade

Polidez, educação

Justiça

Auto-controle

Paciência

Honra, glória

Bondade, compaixão

Temperança (auto-controle)

Altruísmo, sacrifício

Temperança

Humildade

Sabedoria

lealdade

humildade

Castidade ou pureza

honra

Sabedoria

integridade

 

 

 

 

Senso de vergonha

 

 

 

* que combinam as quatro virtudes cardinais e as três virtudes teológicas

 

 

Olhando para elas, há pontos em comum e muitas diferenças. “Esperança” e “paciência”, numa jornada de aprendizado, são coisas muito parecidas: dizem respeito à resistir à frustração e ainda assim acreditar que vale a pena continuar. Mas para isso antes a aprendiz precisa ter acreditado, e também ter aprendido a se manter determinado. Coragem se combina e não se combina com honra. Num sentido sim, porque diz respeito a um posicionamento ético quanto à “ferramenta” dominada. O aprendiz está ou não a altura de utilizá-lo? Quando for o caso, terá coragem? Mas não são iguais. Os da igreja católica parecem todos fora de ordem. Eu implico solenemente com esse perdão moralista que é um convite à mentira consigo mesmo, que é o pior tipo – o mais difícil de extirpar depois. Se desse para fazer uma limpeza terminológica nessas listas, talvez resultasse em alguma coisa com algum sentido para mim, uma espécie de “tradução sem moralismo hipócrita”.

Fico com os códigos guerreiros – afinal, eu sou uma guerreira.

Mas... por que sete?...

 

http://en.wikipedia.org/wiki/Bushido

 

http://ttcslondon.ca/FLK%20Virtues.html

 

http://www.thefourvirtues.com/fourvirtues/virtues/virtue.asp

 

http://www.brushycreekmud.com/_fileCabinet/2008SpringCatalogue/MartialArtsFencing.pdf