Na hora em que saí do tablado no sábado, comemorando o recorde mundial open, meu resultado mais importante da vida (hoje fiquei sabendo que foi quebrado por outra, mas não faz mal), saí correndo, peguei meu celular e liguei para Angel. Caiu na caixa postal. Quando desliguei, havia uma mensagem dele. Ele me ligou no exato segundo em que liguei para ele.
Contei sobre essa sincronicidade, ele disse: “coincidência”.
Eu ri.
Ele disse: “eu calculei aproximadamente o momento em que você sairia da barra”.
Eu ri. E disse que a racionalidade dele às vezes era irritante.
Ele riu. Me disse: “mas entre nós, o papel da cética é seu – eu sou o que aceita o misterioso”.
Pensei, pensei e respondi: “do ponto de vista estatístico, o valor da probabilidade de você ter estimado a precisão do atraso, o tamanho atípico do round de 20 atletas e o momento do término da quarta pedida é tão próximo de zero que na prática pode ser desprezado. Assim, ou o evento não ocorreu, ou o evento está associado a uma probabilidade muito baixa, como ganhar na mega-sena algumas vezes seguidas, por exemplo. Como esses fatos ocorrem entre nós com certa freqüência, você pode optar por essa versão bizarra – e nesse caso eu passaria a jogar na mega-sena – ou aceita que o acaso pode não ter sido a base desses acontecimentos. Você escolhe.”
Ele riu, me abraçou, me apertou forte, me deu beijinhos no pescoço e nos despedimos. Saí em paz com esse acaso que ri de nós e com a camiseta suja dele na mochila.
Marilia
