Na semana passada, ele pontuou minha vida. Tudo que dizia, tinha um ponto final, que ele ostentava como uma baioneta contra um adversário de guerra. Com essa baioneta ele foi me tocando do seu território, me enxotando. Me feriu bastante.
Horrorizada, escondi o rosto nas mãos. Incapaz de chorar e indisposta a sangrar, fiquei parada, inchando de dor, até que levantei o rosto. Estava numa floresta de pontos. Cada ponto uma árvore e cada árvore uma colheita negada.
Resolvi ficar ali. Sentei e fiquei e cá estou até hoje. Aprendi a amar essas árvores. Elas nada me dão, mas pontuam meu mundo. São os pontos das decisões dele. Eu alimento as árvores e durmo sob sua proteção.
Nessa floresta das suas decisões, ele me visita e me ama. Aqui fica mais fácil cuidar de mim. O meu silencio organiza meu mundo e dá paz a ele. Minha aceitação me torna real. Me olho no espelho: eu existo. Eu sei que ele gosta que eu fique aqui, na segurança da floresta de pontos. Aqui ele sabe que consegue me proteger de todas as coisas ruins e talvez até da chuva.
Ele não entende o que a chuva me fez de mal. Nem eu. Mas dentro da floresta de pontos ele terá tempo de descobrir, de entender e de me afastar de perigos reais e imaginários.
Aqui na floresta de pontos eu achei uma coisa que havia perdido faz tempo, que fica bem no meio da minha barriga. Não sei como se chama. Ela tem poderes, é um tanto pesada e me gruda no presente.
Por enquanto eu fico aqui – há muito que eu preciso aprender nesse lugar sem passado e sem futuro. Também gosto dessa paz esbranquiçada que se faz de atmosfera.

Marilia