Quando eu era pequena, gostava de girinos. Nos laguinhos, apareciam aos montes, manchas pretas de bolas com rabo nadando furiosamente. Eu pegava em vidros de palmito e levava para casa. Muitos morriam, mas era legal ver os sobreviventes se transformando em sapos. Eles eram vorazes e comiam bastante, só que às vezes eu esquecia de trocar a água do frasco com a carne que colocava para alimentá-los e todos morriam.
Por um tempo eu e meus amigos da escola pegávamos girino no “riozinho” que tinha atrás da escola. Aí um dia minha mãe perguntou onde a gente estava arrumando girino e eu contei. Depois disso fecharam o buraco da cerca que dava para o esgoto a céu aberto que tinha lá na USP. Não pudemos mais pegar girino ali.
Uns anos depois catei girinos e levei para o apartamento da minha tia Maria Acyr. Acho que peguei junto com a Teté, no sitio dela. Meus pais estavam viajando e eu fiquei com tia Maria Acyr, que morava num condomínio de luxo em São Paulo. Ela era muito liberal e me deixou criar um pântano na banheira de um dos quartos. Os girinos curtiram muito, foram crescendo e viraram sapinhos.
Depois começaram a se espalhar pelo apartamento, aí deu problema.
Mas continuo gostando de girino.
Marilia
