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27 June 2007 @ 11:31 pm
Medo  

(para Sandman)

 

Ela se sentia nauseada e tonta, confusa. Começou a andar pela sala de um lado para outro até que sentiu o amargo regurgitado na boca. Saiu correndo porta afora, em desabalada correria pela rua. Correu o mais rápido que pode até que o achou e olhando-o com olhar de terror, caiu de joelhos, com as mãos na barriga. Ele a amparou, ajoelhou-se do lado dela enquanto ela vomitava a pasta heterogênea. A massa borbulhante que saiu de dentro dela crescia e se diversificava. Gerava pássaros falantes e formas instáveis que ora pareciam líquidas, ora assumiam o aspecto semi-humano. Ele ignorou a fauna que se multiplicava furiosamente e carregou o corpo inerte dela de volta para casa, onde uma escadaria gerada no vômito, profunda e espiralada levava a uma câmara fechada. Deitou-a numa cama, tirou toda sua roupa e amarrou firmemente com cordas seus punhos e pés nos quatro cantos da cama. Feito isso, se aproximou dela, acariciando seu rosto frio. Até que ela finalmente abriu um pouco os olhos. Mirou em volta e por alguns instantes o terror voltou aos seus olhos, vendo o teto se diluindo em plataforma líquida onde peixes de olhar sinistro os observavam; as inúmeras aranhas subindo pelas paredes e levantando as patas dianteiras em botes sem alvo; o chão cheio de entulho. Mas ele olhou com calma e firmeza, e disse: “está tudo bem, eu estou aqui. Ficarei aqui até que tudo passe.” “Não me deixe partir!!!!” gritou ela. Ele colocou os dedos nos lábios dela e disse baixinho: “shhh... nada vai acontecer, você está segura e está nos meus braços”. E então ela fechou os olhos e sua expressão foi tomada por dor. Sangue escorria por suas costas encharcando a cama enquanto formas pontudas emergiam por baixo dela, erguendo seu tórax e abdômen.  Elas cresceram e se transformaram em enormes asas, que se debatiam com violência procurando libertar-se das amarras. Ela gemia e gritava, gritos de dor e medo. E o tempo todo ele apenas mantinha sua mão direita no coração dela. O corpo dela em convulsão, sacudido pelas poderosas asas, coberto de um líquido rosado e quente não era mais humano. Mesmo assim, ele se mantinha sereno, mãos fortemente apoiadas sobre o peito dela. Vinte minutos de agonia alada depois, ela voltou a um estado de sono e abandono. Alguma paz voltou ao seu semblante e ele sorriu, passando as duas mãos pelos cabelos molhados dela. Ela então abriu novamente os olhos, e neles havia suplica e entrega. Não tinha mais forças para verbalizar nada, no entanto. Os olhos verdes foram se amarelando e novos gritos de dor tomaram a casa. Sua boca sangrava enquanto dentes felinos despontavam das gengivas. O tórax se estreitou e poderosas garras tomaram o lugar das mãos delicadas dela. Uma enorme pantera negra se debatia na cama, presa pelas quatro patas, com as garras protrusas. O animal rugia enfurecido e arreganhava os dentes, contraindo toda a forte musculatura dorsal. Se contorceu assim por mais meia hora. Até que muito rapidamente se transformou num grande peixe asfixiado corcoveando na cama com boca e guelras abertas. Ele mantinha a mão direita fortemente apoiada sobre as costelas de todos estes animais. Uma hora o peixe pareceu desistir de respirar e se tornou imóvel, como um item de peixaria. E depois de alguns minutos ela retomou a forma humana.

Olheiras fundas e marcas de hematomas por todo o corpo eram os sinais que restaram. A cama, encharcada de sangue e líquidos viscosos, estava gelada. Ela abriu os olhos e, com expressão exausta, disse: “preciso de você agora, por dentro...”. Ele sorriu, acariciou o rosto dela e beijou-a. Ela fez um movimento de acomodação com o quadril e ele se encaixou ali. Penetrou-a longamente até que sentiu o desejo dela se manifestando. Então, ejaculou, enchendo-a novamente de humanidade. Só então, cuidadosamente soltou as amarras que prendiam seus braços e pernas e carregou-a para um lugar seguro, onde banhou-a e a colocou num ninho seco e macio. Encolhida em seus braços, ela dormiu por 12 horas e acordou serena.

 

Marilia

BodyStuff

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