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13 May 2007 @ 11:06 am
Dia das mães  

Hoje é dia das mães.

Esses “dias de fulano” são complicados hoje em dia por essa ambivalência de serem mais marcos no calendário de planejamento de vendas das grandes empresas do que na vida social. A origem – se é que alguma continuidade desse ritual contemporâneo existe em relação a eventos pré-comerciais – é no mínimo complexa. “Mãe” é uma figura arquetípica e naturalmente a maternidade, a capacidade de gerar, etc, foram celebradas através dos tempos. Rituais originados na cultura helênica são reivindicados como marco fundador, do que duvido muito: cultos a Rhea, deidade maternal, são candidatos, assim como os cultos a Cybele, esposa de Cronus e mãe dos deuses.

Na Inglaterra pré-industrial surgiu um “mothering day”, mais provável na linha evolutiva do atual dia das mães: no segundo domingo de maio, as jovens pobres eram liberadas de seus serviços nas propriedades dos ricos para reunirem-se a suas mães. Mantendo a data, foi estabelecido o Dia das Mães nos Estados Unidos pós-independência, por iniciativa da ativista social Julia Ward Howe. O “dia das mães” seria um chamado para a paz e o desarmamento.

A proclamação do Dia das Mães, escrita por ela em 1870, diz o seguinte:

 

 

From the voice of a devastated Earth a voice goes up with
Our own. It says: "Disarm! Disarm!
The sword of murder is not the balance of justice."
Blood does not wipe out dishonor,
Nor violence indicate possession.
As men have often forsaken the plough and the anvil at the summons of war,
Let women now leave all that may be left of home
For a great and earnest day of counsel.
Let them meet first, as women, to bewail and commemorate the dead.
Let them solemnly take counsel with each other as to the means
Whereby the great human family can live in peace...

 

Da voz de uma Terra devastada uma voz emerge com

Nossa própria. Ela diz: “desarmem-se! Desarmem-se! A espada do assassinato não é o equilíbrio da justiça.”

Sangue não apaga desonra.

Nem a violência indica posse.

Assim como os homens freqüentemente deixaram de lado o arado e a bigorna ao chamado da guerra,

Que as mulheres agora deixem tudo que pode ter restado de um lar

Para um grande e sincero dia de aconselhamento.

Que elas se encontrem primeiro como mulheres, para chorar e celebrar os mortos.

Que elas solenemente se aconselhem umas com as outras como meio

Para que uma grande família humana possa viver em paz...

 

 

Eu sou mãe, há quase 18 anos. Se for contar do momento da concepção, há pouco mais que isso. Entre a idéia de um grande e mágico poder criador, a doçura do acolhimento e a ânsia por um ambiente seguro para meu rebento, o que será que me toca mais?

O último, sem dúvida. Fico com Julia Ward Howe. Talvez porque a Mel não esteja aqui e eu não tenha falado com ela ontem. Talvez porque a tragédia de Blacksburg seja recente demais. Talvez porque ela mesma esteja entretendo dúvidas e angústias.

Mas hoje respondo com segurança que minha condição de mãe traduz um desejo incontrolável de buscar uma condição de paz para o fruto mais precioso da minha criação. Paz para que ela possa ser feliz – seja lá o que felicidade for para ela. Paz que só vem com segurança, justiça, compaixão e solidariedade entre os homens.

Ser mãe é se sentir unida a todas as outras mães do planeta por esse anseio.

Nessa fusão uterina, o medo delas é o meu, a alegria delas é a minha e todos os filhos do mundo são meus filhos.

Ser mãe é desejar e lutar por um mundo melhor.

 

Marilia

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