Hoje o homem com H maiúsculo a quem amo de forma complexa (ou de quem sou complexamente amiga) me explicou mais algumas coisas sobre como vê a beleza feminina. Me disse, por exemplo, que fica desconsertado com a angústia das mulheres com coisas como celulite e estrias. Ele percebe que essa angústia deriva de uma falsa suposição de que isso de alguma forma afetaria sua atratividade para o olhar masculino. Perguntei: “mas não afeta?” “Nada”, garante ele. E o cabelo bem liso, loiro blondor fake-fake-fake? Também não.
Fiquei pensando... e lembrei de algo que meu amigo artista gráfico Ace of Spades escreveu. Em seu texto, disse que achava muito triste que, assim que as mulheres treinavam e produziam corpos perfeitos, com músculos, os “estragavam” (do ponto de vista de Ace) botando tinta loira e enchendo os peitos de silicone. Finalizou seu brilhante texto aconselhando as mulheres a refletirem um pouco quando seus companheiros exigissem delas peitos duros e grandes, sexo anal e não lembro mais o que, já que, segundo ele, esses homens não querem mulheres, e sim travestis.
Então pensei em meus amigos assumidamente gays. Alguns dos meus melhores amigos são, poucos com relações estáveis e a maioria em eterna “busca”. Meus amigos vêem beleza nos corpos masculinos de formas e jeitos variados, mas masculinos, sem nenhum “disfarce”. Meu amigos têm uma consciência política bastante desenvolvida.
Foi então que me ocorreu que os amantes de Barbies - essas mulheres muito fake, com enormes peitos duros de silicone, cabelos ultra-lisos de tinta loira e lipo-aspiração por toda parte – talvez sejam pobres vítimas de uma contradição existencial destrutiva: são homens que desejam, na verdade, corpos masculinos. São gays. No entanto, pela homofobia, não podem apreciar a beleza do corpo masculino “crú” – só podem desejá-lo “disfarçado” de mulher. E assim criaram uma estética feminina que na verdade é masculina.
Esses homens, que de um lado me dão pena pelo conflito interno, por outro não me dão, não, pois são preconceituosos e destrutivos a nós, mulheres reais. São todos muito machistas e os exemplares que conheci expressam claramente a impossibilidade de amar e até mesmo de desejar mulheres inteligentes ou cultas. Até mesmo o olhar e fala de suas Barbies precisa expressar subserviência, incompetência e debilidade intelectual.
De repente, para mim fez todo sentido! Esses homens na verdade desejam homens, só que disfarçados de mulheres e como seu machismo é exacerbado, essas criaturas híbridas precisam ser estereotipicamente inferiores.
Bingo!
Marilia
Fiquei pensando... e lembrei de algo que meu amigo artista gráfico Ace of Spades escreveu. Em seu texto, disse que achava muito triste que, assim que as mulheres treinavam e produziam corpos perfeitos, com músculos, os “estragavam” (do ponto de vista de Ace) botando tinta loira e enchendo os peitos de silicone. Finalizou seu brilhante texto aconselhando as mulheres a refletirem um pouco quando seus companheiros exigissem delas peitos duros e grandes, sexo anal e não lembro mais o que, já que, segundo ele, esses homens não querem mulheres, e sim travestis.
Então pensei em meus amigos assumidamente gays. Alguns dos meus melhores amigos são, poucos com relações estáveis e a maioria em eterna “busca”. Meus amigos vêem beleza nos corpos masculinos de formas e jeitos variados, mas masculinos, sem nenhum “disfarce”. Meu amigos têm uma consciência política bastante desenvolvida.
Foi então que me ocorreu que os amantes de Barbies - essas mulheres muito fake, com enormes peitos duros de silicone, cabelos ultra-lisos de tinta loira e lipo-aspiração por toda parte – talvez sejam pobres vítimas de uma contradição existencial destrutiva: são homens que desejam, na verdade, corpos masculinos. São gays. No entanto, pela homofobia, não podem apreciar a beleza do corpo masculino “crú” – só podem desejá-lo “disfarçado” de mulher. E assim criaram uma estética feminina que na verdade é masculina.
Esses homens, que de um lado me dão pena pelo conflito interno, por outro não me dão, não, pois são preconceituosos e destrutivos a nós, mulheres reais. São todos muito machistas e os exemplares que conheci expressam claramente a impossibilidade de amar e até mesmo de desejar mulheres inteligentes ou cultas. Até mesmo o olhar e fala de suas Barbies precisa expressar subserviência, incompetência e debilidade intelectual.
De repente, para mim fez todo sentido! Esses homens na verdade desejam homens, só que disfarçados de mulheres e como seu machismo é exacerbado, essas criaturas híbridas precisam ser estereotipicamente inferiores.
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Marilia
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